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140 Anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul 22/05/2015 | 10h00

Última reportagem especial mostra o legado deixado pela imigração na Serra


Última reportagem especial mostra o legado deixado pela imigração na Serra
Divulgação/internet
Embora alguns aspectos tenham se perdido ao longo do tempo ou estejam em processo de extinção, o legado cultural deixado pelos imigrantes é bastante perceptível no cotidiano da população serrana. Além da característica empreendedora, a notável força de vontade que denotou no espírito dos colonos há 140 anos permanece intrínseca à sociedade gaúcha da região. A coordenadora da Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal da Cultura, Liliana Henrichs, ressalta que embora seja exaltada, a história da imigração não foi de toda admirável. No entanto, destaca que o fato de a região ter prosperado se deu inicial e essencialmente pela divisão igualitária de condições que permitiu, segundo ela, que todas as famílias se desenvolvessem conforme o esforço de cada uma. Liliana cita como exemplo a criação de estabelecimentos junto a residências como um dos indícios da aspiração dos serranos em buscar o sucesso financeiro de forma independente, característica a qual afirma ter sido herdada dos imigrantes.

Já a pesquisadora Cleodes Piazza Ribeiro agrega como uma das principais particularidades preservadas a valorização por uma mesa farta nas refeições diárias. Ela explica que a famosa ‘comilança’ das populações que residem em regiões colonizadas por italianos, com a presença constante de salame, sopa de agnoline e polenta, é uma espécie de ritual de compensação à fome vivenciada pelas famílias de imigrantes no país de origem, um dos motivos que as trouxeram ao Brasil.

Vitalina Frosi, especialista em linguística, chama atenção para utilização de blasfêmias ser algo específico da cultura italiana, o que foi aderido na região, tanto que segundo ela, mesmo em famílias de origem alemã, as expressões são ditas em dialeto italiano.

Ela lamenta a gradual extinção do dialeto e a falta de mobilização do grupo étnico italiano em prosseguir com a tradição e transmitir a fala para gerações após a proibição durante o governo Vargas.

Ainda que haja forte elo afetivo da região com a cultura italiana, a historiadora Luiz Iotti comenta que o sentimento foi introduzido no Brasil pelo próprio governo italiano, com interesses comerciais.

Ela conta que quando foi ministrar aulas em Roma, verificou que os livros de história do País europeu pouco abordam o processo de emigração para o Brasil.

Por fim, a historiadora Loraine Slomp Giron destaca o ano de 1975 como divisor de águas para reconhecimento da importância da colonização italiana na região. Na época, quando a imigração completou 100 anos, teve início a produção de materiais sobre o tema e a busca e preservação de arquivos históricos. Entretanto, ressalta que houve poucos avanços desde então. Assim, a esperança, segundo ela, é que em uma década, no aniversário de 150 anos da imigração, ações efetivas concretizem a valorização da cultura italiana na Serra.

Rádio Caxias nos 140 Anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul.
 

Departamento de Jornalismo


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